O quarto trimestre do ano representa um período crítico para a gestão das Empresas, concentrando exigências complexas ao nível da tesouraria, do planeamento fiscal e da definição estratégica. Esta fase requer dos gestores uma dupla vertente operacional: a monitorização rigorosa das métricas de fecho do exercício corrente e, simultaneamente, o delineamento prospetivo e orçamental para o ano económico subsequente.
A importância da Gestão da Tesouraria
O quarto trimestre é historicamente caracterizado por uma elevada exigência de liquidez, decorrente de compromissos sazonais específicos deste período. Entre estes, destacam-se o pagamento dos subsídios de Natal, o terceiro Pagamento por Conta de IRC, obrigações declarativas e de pagamento de IVA, o reforço de inventários e o encerramento de contas correntes com fornecedores. Neste cenário, a gestão proativa da tesouraria — alicerçada no acompanhamento rigoroso do cash flow — torna-se indispensável para antecipar eventuais dificuldades de caixa, otimizar o prazo médio de recebimento e gerir estrategicamente o recurso a linhas de crédito ou outras fontes de financiamento externo.
A importância do Planeamento Fiscal
Fiscalmente, estamos perante uma oportunidade importante para rever a situação fiscal e tomar, dentro dos prazos legais, medidas de otimização, essencialmente através de 3 formas:
– Otimização de Benefícios Fiscais: avaliando atempadamente os benefícios existentes que podem ser utilizados por cada empresa;
– Gestão de Gastos e Depreciações: analisando de forma detalhada as imparidades de inventários e de créditos de cobrança duvidosa, garantindo que a perdas são devidamente e atempadamente reconhecidas e documentadas no exercício a que correspondem;
– Identificar as necessidades de investimento: avaliar os investimentos necessários à atividade da empresa, tendo em conta a sua viabilidade económica e o contributo para os objetivos do negócio. Antes de avançar, importa também analisar o respetivo tratamento contabilístico e fiscal, incluindo o reconhecimento das depreciações ou amortizações aplicáveis.
Estimar atempadamente os resultados permite às empresas planear com maior segurança e tomar decisões. Para isso, é fundamental dispor de uma contabilidade atualizada e de informação financeira fiável.
Em conclusão, uma gestão cuidada do último trimestre permite às PME antecipar necessidades de tesouraria, cumprir atempadamente as suas obrigações e tomar decisões mais informadas sobre o fecho do exercício e o ano seguinte. O acompanhamento regular da informação financeira é essencial para enfrentar este período com maior segurança e preparar a empresa para os desafios que se seguem.
Sónia Guerreiro | Manager
Departamento Financeiro

