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No final de 2020, eram muito grandes as expectativas de que 2021 seria o ano de viragem da pandemia e o regresso à normalidade. O otimismo esbateu-se muito rapidamente após a passagem de ano com ao encerramento, por vários meses, de muitas atividades e descida das receitas para mínimos históricos de muitas outras.

 

Até ao Verão, viveu-se um autêntico carrossel de emoções nos setores mais afetados, com momentos de grande otimismo seguidos por períodos de deceção, como aconteceu em maio quando o Reino Unido voltou a “fechar” as portas a Portugal, depois de ter contribuído significativamente para a disseminação da variante delta no nosso país.

 

Fruto de uma das maiores taxas de vacinação do mundo, o otimismo regressou com a saída do estado de calamidade e um quase regresso à normalidade. Em alguns sectores, os meses de setembro, outubro e novembro foram muito positivos, compensando em parte as “perdas” do início do Verão.

 

Naturalmente, com a aproximação do final do ano, a cautela nos exercícios de previsão é a palavra de ordem. Contudo, independentemente da evolução da pandemia, o próximo ano será um ano de muitos desafios para os Gestores portugueses.

 

Desde logo, a maior preocupação é a subida dos preços. Em novembro, a inflação anual terá atingido os 4,9% na zona Euro, enquanto nos EUA terá chegado aos 6,2% em outubro. Estes são dados estatísticos que apenas confirmam a realidade sentida por muitos Gestores desde o início do ano.

 

Um outro desafio é a dificuldade de contratação. Um pouco por todo o ocidente, temos vindo a assistir a um fenómeno que os Americanos apelidam de “Great Resignation”. Milhares de pessoas estão a despedir-se ou a deixar de procurar emprego, especialmente nos sectores onde existiu e existe uma maior exposição ao risco de contração do vírus.

 

Desde logo, este fenómeno terá também um impacto na inflação. A conjugação dos preços da energia com a redução da oferta de muitos materiais e produtos e a eventual subida dos salários sem aumentos de produtividade, é uma receita que deve preocupar mesmo aqueles que defendem com convicção que a inflação não veio para ficar.

 

Em termos mais práticos, a falta de mão-de-obra é um enorme quebra-cabeças para os Gestores, especialmente porque a procura em muitos sectores deverá continuar a crescer durante 2022.  Ou seja, muitas empresas poderão ver comprometidas as suas expectativas de crescimento não porque não tenham capacidade comercial ou um produto de qualidade, mas antes porque não conseguem contratar de forma a aumentar ou até manter os níveis de produção.

 

Por outro lado, a escassez de mão-de-obra poderá contribuir para a aceleração da digitalização e automatização de processos produtivos em muitas empresas, o que permitirá aumentar a produtividade. Para tal, será fundamental que os muitos milhões de Euros que vão entrar no país apoiem essa transformação, abrindo o caminho à convergência com a União Europeia e a que as nossas empresas ganhem um novo fôlego competitivo nos mercados internacionais.

 

Vivemos num período de muita incerteza, mas também de muitas oportunidades. Mais que nunca é fundamental que os Gestores valorizem a importância do Planeamento Estratégico e desenvolvam as ferramentas necessárias para o acompanhamento continuo e rigoroso do negócio. Só assim será possível antecipar medidas corretivas e tirar proveito das muitas oportunidades que sempre surgem em períodos com muitas mudanças.

 

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