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O impacto da crise pandémica ao nível da economia tem sido brutal para muitos setores de atividade e qualquer empresário sabe que a venda de um negócio é sempre um processo sensível de gerir. No contexto atual, esta situação de venda implica uma ponderação acrescida por parte dos sócios das empresas.

De seguida iremos abordar algumas questões que podem ser pertinentes colocar previamente por parte dos empresários, com o objetivo de ajudá-los no processo de tomada de decisão de venda do seu negócio.

  1.  Volatilidade dos mercados

Quaisquer planos que tivessem sido traçados antes de 2020 foram arrasados com as alterações que ocorreram, sem precedentes e de forma imprevisível, a nível funcionamento da economia mundial.

Na maior parte das situações essas alterações impactaram de forma negativa na operação, contudo, também foram muitos os negócios que conseguiram, com maior ou menor capacidade por parte da Gestão, reinventar o negócio e as oportunidades, optando por reconverter processos internos e processo de fabrico, possibilitando um acréscimo do volume de negócios, captação de novos mercados e diversificação de produtos.

Houve também situações que de forma direta e sem qualquer esforço e devido a externalidades positivas, que algumas empresas conseguiram aumentos de volumes de negócios e margens especulativas nunca antes imaginadas, basta pensar nas empresas de fabrico de material ligado à saúde tais como, vacinas, ventiladores, seringas, oxigénio, equipamentos de proteção, máscaras, etc.

De igual modo, também os negócios ligados ao processo de digitalização das empresas, acelerada pelo aparecimento da pandemia, foi um dos catalisadores de crescimento fulcrais para a valorização do setor tecnológico, a par com as tecnológicas, onde por exemplo, a maior parte da população mundial com restrições de circulação recorreu às plataformas socias para conseguir reduzir o distanciamento.

Assim, aqueles empresários que tinham planos de comercializar seus negócios para venda em 2020 ou 2021 estão numa situação difícil e inédita, porque muitos setores estão lutando para sobreviver e alguns estão crescendo inesperadamente. Por isso, a decisão de colocar uma empresa no mercado é mais difícil do que era quando a economia era previsível, ou pelo menos estável.

Todo proprietário de empresa que considera a venda de sua empresa deve realizar uma análise financeira antes de avançar com uma transação potencial, permitindo atualizar as previsões financeiras tendo em conta o impacto esperado da pandemia.

     2. – Motivo da venda

Se um empresário definiu um prazo específico (por exemplo, o ano de 2021) para vender o seu negócio tem de reavaliar o motivo da venda, porque para cada situação existe uma abordagem distinta.

Pretende reformar-se? Tem um problema de saúde que afeta a sua capacidade de trabalhar e consequentemente a performance da empresa? A tecnologia está a evoluir muito rapidamente? A concorrência vai lançar um produto ou serviço no mercado que vai implicar investir de forma elevada de forma a acompanhar essa ameaça? Existem problemas societários?

Alguns desses fatores são mais críticos em termos de tempo do que outros. Um problema de saúde pode exigir uma venda imediata, independentemente das condições atuais de mercado, enquanto um plano de retirada pessoal pode ser mais flexível em termos de decisão.

O empresário deve rever sua motivação de venda do negócio nesta fase atual de incerteza e avaliar se o momento pode constituir uma oportunidade ou uma ameaça acrescida.

  1. – Acompanhamento do empresário nesta fase de decisão

Se um sócio de uma empresa deseja vender a sua empresa, tem de perceber que vender na hora errada pode significar potencialmente uma perda brutal em lucros perdidos. Infelizmente, para muitos, 2021 pode ser o momento errado para vender, mas pode ser o momento certo para preparar a empresa para um processo de venda.

Embora as indústrias estejam sendo afetadas pela pandemia de maneiras totalmente diferentes, o impacto sobre a maioria é negativo e o momento para uma recuperação econômica é incerto.

Há uma série de questões a serem consideradas e perguntas a serem respondidas para ajudar os proprietários de negócios a determinar quando é o momento certo para vender e o que fazer agora para antecipar o processo de venda. Evitar uma decisão errada pode ser a melhor aposta que se pode esperar em 2021.

  1. – Atrasar ou acelerar o processo de venda?

As indústrias tornam-se obsoletas com o tempo, no entanto, os impactos sociais desta pandemia estão a impulsionar esse processo de forma mais brusca para setores de negócios que nunca esperaram encontrar uma interrupção significativa do mercado.

Entre os desenvolvimentos mais recentes, por exemplo, está o aumento do trabalho remoto que pode durar mais que a pandemia, resultando em alterações de processos e diferentes oportunidades de negócio para cada segmento.

Por exemplo, o sócio de uma empresa de produção de mobiliário de escritório com maiores dimensões que já tivesse ideia de vender o negócio, não deve esperar pelo fim da pandemia pois isso pode vir a custar-lhe muito caro, visto que cada dia que passa o mercado vai começar a perceber o impacto negativo dessas alterações por parte dos clientes e consumidores.

Por outro lado, se sua empresa fabrica ou distribui equipamentos de proteção individual, pode ser muito cedo para vender, pois seu valor pode aumentar muito.

Os sócios de empresas devem levar em consideração nesta análise as condições de mercado, as oportunidades e ameaças, quer potenciais quer efetivas, os custos associados à venda, etc.

  1. – Perceber a dinâmica do processo de venda?

Se após uma análise cuidadosa o sócio concluir que deve prosseguir com o processo de venda, pode ser necessário ajustar expectativas, não apenas no valor do negócio, mas em como esse valor se traduz em preço de compra.

É natural que os compradores também estejam preocupados com o futuro e tentem proteger as suas apostas, estruturando abordagens diferentes que contemplem, por exemplo, situações de diferimento de uma parte do preço de compra no futuro em função dos ganhos previstos.

Como é óbvio esta situação acarreta um risco adicional para o proprietário da empresa.

  1. – Capacitar a empresa para o processo de venda

Alguns proprietários de empresas estão emocionalmente prontos para vender seus negócios antes de estarem operacionalmente prontos para vendê-los.

Os sócios de empresas devem realizar as devidas diligências e resolver questões significativas antes de colocar seus negócios no mercado.

À semelhança do acontece no mercado imobiliário, antes de colocar o imóvel em venda é habitual efetuar um conjunto de melhorias internas (pintura das zonas mais degradadas e pequenos arranjos) que não sejam avultadas em termos de custos, mas que sejam suficientemente apelativas para que compradores possam querer visitar o imóvel e perceber um pouco melhor essa oportunidade de compra.

Ao nível da venda de uma empresa também é conveniente, antes de iniciar o processo de venda salvaguardar alguns aspetos básicos, nomeadamente, ter uma contabilidade organizada e com dados atuais, garantir uma performance de resultados no último ano e nos meses mais recentes em níveis minimamente aceitáveis, evitar equipamentos desatualizados, práticas de emprego arriscadas, etc., caso contrário, provavelmente esta empresa será eliminada numa fase preliminar de análise sem ter hipótese sequer de vir a ser avaliada por parte de um potencial investidor.

Em conclusão, existem muitas tarefas a serem realizadas a fim de preparar efetivamente um negócio para ser comercializado para venda. Descreveremos essas e outras considerações para proprietários de empresas na parte dois desta série.

 

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