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Assim que a pandemia atingiu a Europa e os EUA em março de 2020, os governos apressaram-se a pôr em prática medidas que tentam evitar a destruição da capacidade produtiva e do emprego. Nesta matéria, medida como as moratórias bancárias, os apoios à manutenção do emprego e subsídios a fundo perdido têm cumprido o seu objetivo.

 

Desde logo, alguns economistas levantaram a seguinte questão: com a redução da atividade e o aumento dos apoios sociais, não teremos a receita perfeita para o aumento da inflação?

 

Passados 15 meses, a pressão inflacionista começa a ser evidente. Nos EUA, a inflação homóloga em maio situou-se nos 5%, a mais elevada desde 2008. Na Zona EURO, a inflação terá atingido os 2% no mesmo período, puxada pelo aumento dos preços da energia.

 

As opiniões sobre este tema são muito divergentes. Grande parte dos economistas e decisores políticos acreditam que a subida dos preços é circunstancial e que assim que as cadeias de distribuição estejam normalizadas com o fim da situação pandémica, a estabilidade dos preços regressará. Outros alertam para os riscos de que a inflação continue a acelerar nos próximos anos. O Deutsche Bank, por exemplo, alertou recentemente para os riscos das políticas monetárias e fiscais americanas, que poderão, segundo eles, abrir caminho a um longo período de subida de preços, o que teria um impacto muito negativo, especialmente para os mais vulneráveis.

 

A questão da inflação é muito relevante para as empresas. Se esta pressão se mantiver, o Banco Central Europeu e a Reserva Federal Americana acabarão por ter de optar por uma política monetária mais restritiva, o que terá um impacto significativo nas taxas de juro. Por outro lado, as políticas orçamentais expansionistas postas em prática pela maioria dos governos europeus, terão de ser revistas de forma a travar o crescimento dos preços.

 

Nesta fase, o otimismo tem dominado face ao pessimismo daqueles que receiam que estejamos no início de um novo ciclo inflacionista. De qualquer forma, não podemos ignorar os riscos inerentes às políticas económicas e monetárias postas em prática no último ano, para além dos efeitos estruturais e sociais da pandemia que ainda não estão bem compreendidos. Importa, por isso, mantermos um otimismo conservador, colocando sempre na balança a necessidade de tomar medidas preventivas que fortaleçam as finanças e protejam as vantagens competitivas das empresas.

 

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