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O impacto económico da pandemia tem sido muito significativo, particularmente em países com uma forte dependência dos sectores do turismo e da restauração. Em Portugal, por exemplo, o PIB terá caído cerca de 7,70% em 2020, mais que em 2011, 2012 ou 2013. Na vizinha Espanha, a descida foi de quase 11%, bem acima da média da União Europeia (7,4%).

 

No entanto, esta é uma crise distinta da que decorreu da crise financeira de 2008 ou da crise da dívida soberana em 2011. Por esse motivo, tem sido feito um esforço por parte dos governos europeus para impedir que a crise destrua capacidade produtiva e aumente substancialmente o nível do desemprego. Várias medidas têm sido adotadas, incluindo subsídios a fundo perdido e moratórias bancárias que têm permitido aliviar o impacto da crise no cash-flow das empresas e das famílias.

 

Apesar de todas as medidas, este é um momento de grande incerteza. Tem sido inevitável a destruição de algum tecido empresarial e muitas empresas definham para suportar os custos fixos, face a uma recuperação que tem sido mais lenta que o desejável. O mês de outubro é antecipado com alguma ansiedade face à expetativa de que as moratórias não sejam prolongadas. Milhares de empresas terão de retomar a amortização do capital de empréstimos aos bancos, numa altura em que estarão com os seus balanços mais debilitados do que estavam quando os pagamentos foram interrompidos, em abril de 2020.

 

Por outro lado, há motivos para otimismo!

 

Se uma parte da população está hoje mais pobre devido à pandemia, há uma outra que não perdeu rendimentos e foi forçada a poupar. No nosso país, a taxa de poupança sobre o rendimento terá aumentado 5,7 pontos percentuais face a 2019, segundo o INE, a mais alta desde 2002. Assim que a confiança regresse, é de esperar uma recuperação muito rápida do consumo, especialmente na restauração e turismo.

 

A este aumento da poupança, há que acrescer o Plano Europeu de Recuperação e Resiliência que deverá ter um impacto muito significativo no investimento europeu e consequente criação de emprego. Globalmente, a Morgan Stanley prevê uma aceleração do crescimento do investimento, estimando que este ultrapasse rapidamente os níveis observados em 2019.

 

Nem tudo são rosas, mas nem tudo são espinhos. Muitas boas empresas não resistirão a esta crise e há milhões de vidas humanas que jamais serão recuperadas. Contudo, do ponto de vista económico, a crise não é comparável a outras que tivemos este século. O tecido produtivo está mais ou menos intacto, não houve uma redução da riqueza e o emprego tem-se mantido estável.

 

Para as empresas mais afetadas pela pandemia, importa estabilizar, desde já, as necessidades de fundo de maneio e garantir a disponibilidade de tesouraria necessária para suportar o regresso da atividade para os níveis pré-pandemia, assim como a amortização do capital dos financiamentos em moratória.

Será igualmente importante garantir financiamento para investimentos que aumentem a competitividade num mercado que será cada vez mais concorrencial e tecnológico. Para as restantes, é o momento para investir em modernização e aumento de eficiência, tirando proveito de reservas acumuladas, taxas de juro baixas e apoios ao investimento que serão disponibilizados pela União Europeia e Estado Português.

 

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