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As empresas necessitam no desenvolvimento da sua atividade corrente de renovar equipamentos e outros ativos, de forma a manterem-se atualizadas e garantir que não perdem a qualidade e eficiência dos serviços prestados e produtos vendidos.

De igual modo, as PME que atuam em ambiente de concorrência intensiva necessitam, para garantir a sua sobrevivência, de crescer e expandir para novos mercados.

Em ambos os casos, isso implica dispor de bens de capital que compõem o ativo permanente das empresas destinados à manutenção das suas atividades. Ou seja, ativos tangíveis ou intangíveis, seja por via da aquisição de novas tecnologias, novos equipamentos e instalações, novos produtos e novos recursos de TI (hardware e software), etc.

Estes investimentos em bens de capital das PME caraterizam-se, de uma forma geral, pelo dispêndio de verbas significativas que necessitam de ser realizadas antes que os bens adquiridos comecem a produzir os resultados esperados e, muito frequentemente, não podem ser obtidos com recursos próprios das empresas. Por essas razões, as aquisições de bens de capital devem ser realizadas utilizando-se fundos de longo prazo.

Origem dos Fundos

De uma forma geral e resumida os fundos de longo prazo podem ser obtidos pelas empresas de 3 fontes:

(a)  capitais próprios, que no âmbito da PME limitam-se às entradas de capital realizados pelos sócios ou pela retenção e posterior capitalização dos lucros auferidos como resultado das operações da empresa.

(b) capitais de terceiros, representados por empréstimos de longo prazo tomados junto ao sistema financeiro

(c) pela entrada no capital da empresa de novos sócios, quer numa ótica de presença permanente ou entrada de investidores numa ótica de especulação / restruturação onde normalmente os prazos médios de saída rondam os 5 anos.

Associando as características das aquisições dos bens de capital à disponibilidade de recursos para realizá-las, verifica-se que esse tipo de investimento, por sua própria natureza, impõe às empresas severas pressões sobre as suas necessidades de caixa ou, alternativamente, fortes exigências na busca de recursos de terceiros para viabilizá-lo.

Como o resultado dessa busca nem sempre se reveste de sucesso, é importante destacar que sem esses capitais as PME em particular, podem comprometer a sua competitividade e consequentemente os seus lucros.

Análise das várias Opções a Adotar na Captação dos Fundos

A situação mais lógica e imediata para capitalizar a empresa consiste em recorrer aos capitais próprios, por exemplo, através da utilização de lucros retidos. Contudo, sabemos que nem sempre as empresas apresentam lucro, e nos casos em que isso acontece   não significa que ela disponha de recursos suficientes para satisfazer as suas necessidades de investimentos.

Em primeiro lugar, porque boa parte desse lucro pode estar previamente comprometido para, por exemplo, reforçar o Fundo de Maneio das PME e/ou o remunerar o capital próprio investido na empresa através do pagamento dos dividendos.

O valor remanescente poderá ser utilizado como fonte de capital para reforçar as despesas da empresa, mas pode não ser suficiente.

De uma forma simplista podemos afirmar que simplesmente obter lucro tendo em vista a geração de recursos adicionais é uma condição necessária, porém não suficiente.

Entradas de Capital

Em termos teóricos, as entradas de capital por parte dos sócios consistem numa cessão inicial de recursos, que constituem o capital inicial dessa empresa, que vai permitir fazer as aquisições dos equipamentos, matérias-primas, recrutamento, instalações, etc., necessários para desenvolver a atividade da empresa.

A remuneração desse capital deveria ser realizada com o pagamento regular de dividendos que produzissem uma taxa de retorno igual ao custo de oportunidade que os sócios da empresa teriam se tais recursos tivessem sido aplicados no mercado financeiro, devidamente ajustado pelo grau de risco que essa aplicação na empresa oferece.

Todavia, se uma parte significativa das PME têm dificuldades em gerar lucro que seja capaz de dar resposta às necessidades operacionais e remunerar o capital, essa situação pode condicionar o interesse do investidor em canalizar recursos adicionais para o capital da empresa.

Face ao exposto, o recurso às entradas de capital realizados pelos seus sócios pode ser considerado uma alternativa limitada para a capitalização das empresas.

Financiamento

A outra forma possível  de uma PME obter fundos para a realização de investimentos em bens de capital é por meio da obtenção de recursos de terceiros, ou seja, por via de empréstimos obtidos junto do sistema financeiro.

Estes empréstimos devem sempre ter em atenção de que os investimentos que estamos a falar, pela sua natureza, deveriam ser realizados com fundos de longo prazo, ou seja, os empréstimos obtidos deveriam permitir uma amortização num prazo sempre superior a, pelo menos, dois anos.

Porém, a falta de acesso a créditos de longo prazo com custos razoáveis e as garantias e outras burocracias exigidas pelas instituições financeiras dificultam a escolha correta do financiamento.

Por estes e outros fatores, uma grande maioria das PME não segue a regra básica atrás referida, o que resulta numa estrutura de financiamento inadequada com a aquisição de bens de capital utilizando de fundos de curto prazo para essa finalidade.

As condições de acesso ao crédito exigem que não haja incumprimento das obrigações fiscais e contribuições, ter um histórico limpo em termos de banca, ter capacidade de pagamento demonstrada por um plano de negócios consistente e dispor de garantias suficientes para cobertura do risco da operação.

Aqui pode entrar a EWP no sentido de apoiar as PME a elaborar e aconselhar todo o processo de suporte que as instituições financeiras necessitam, no sentido destas poderem tomar decisões com base em informação económico – financeira estruturada e em conformidade com os critérios e indicadores praticados pela banca.

Entrada no Capital de investidores externos – Fundos Capital de Risco

A crise económica resultante da pandemia provocada pelo Covid-19 e uma expetativa ligeira por parte dos mercados de que a taxa de inflação vai aumentar, gera alguma contenção e prudência nos investidores internacionais.

Contudo, existem outros fatores que contrariam estes aspetos negativos e que proporcionam uma enorme atratividade por parte de investidores para entrar, nesta fase, em novos negócios.

Um desses fatores é a liquidez existente, que está acima dos níveis normais e que, ao nível da União Europeia, vai aumentar com a entrada dos apoios ao investimento que vão ser atribuídos aos vários Estados.

Por outro lado, a história dos grandes ciclos económicos demonstra que nas situações onde ocorreram graves de crises financeiras surgem sempre situações de transferência de riqueza associadas à captura de oportunidades de investimento.

Já vimos atrás que as empresas que queriam sobreviver têm de se capitalizar para poderem sobreviver em momentos de crise, mas as soluções mais imediatas de aporte de capital pelos sócios e o recurso tradicional à Banca nem sempre é suficiente para as suprir as necessidades das PME que têm de apostar na inovação dos seus produtos, processos internos, tecnologia, novos mercados, etc.

Assim, uma outra possibilidade de aportar capital consiste na entrada de terceiros (Fundos Capital de Risco) no capital das empresas, nomeadamente através das Private Equity e dos Fundos de Restruturação.

Estas entidades aportam, para além do capital, know-how, estratégias de crescimento nacional e internacional, excelência na gestão, captura e retenção de talento, dinâmica comercial, etc.

É sabido que o modus operandi das Private Equity consiste em capitalizar as empresas onde entram, de forma que estas tenham um crescimento rápido e sustentado com o objetivo de saída destes fundos num horizonte temporal de 3 a 5 anos.

Essa saída em nada prejudica a empresa visto que pressupõe uma venda de parte / maioria do capital a novos investidores o que pode ser uma boa oportunidade para os empresários das PME intervencionadas, que tenham por exemplo, problemas de sucessão ou que queiram gozar a sua reforma, aproveitarem gerando mais valias significativas.

No entanto, o target dos Fundos aposta normalmente em empresas com stress de crescimento, descapitalizadas, mas se essas empresas tiverem EBITDAS   baixos, de uma forma geral significa que podem já não ter solução nos prazos que os Fundos determinam para intervenção e saída.

Assim, mais uma vez, a EWP pode apoiar os empresários numa fase prévia a ajudar a estabilizar os EBITDA´s e a Gestão das PME, de forma a criar as condições para que estas empresas possam entrar no radar dos diversos Fundos e serem capitalizadas.

Mais informação

Estamos disponíveis para conversar consigo e ajudar a sua empresa.

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