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Após um ano recorde em 2021, o setor de “private equity” enfrentou desafios significativos em 2023, com quedas acentuadas no volume de negócios e desinvestimentos. As taxas de juros em ascensão, que encareceram o financiamento, foram apontadas como o principal catalisador dessa desaceleração.

A subida vertiginosa das taxas de juros, especialmente nos Estados Unidos, seguida pelo Banco Central Europeu e por Inglaterra, desencadeou um processo de ajuste no setor. Em 2021, o otimismo gerado pelas baixas taxas de juros e as injeções maciças de capital na, não veio a revelar-se sustentável, levando a uma correção nos anos seguintes.

No último ano, as operações de “private equity” e desinvestimentos enfrentaram os aumentos mais acentuados de juros desde a década de 1980. O valor global das aquisições (“buyout”) caiu 37% em termos anuais, atingindo 438 biliões de dólares, o menor desde 2016 e 60% abaixo do pico de 2021. O número de operações também diminuiu em 35%, enquanto o valor dos investimentos caiu dois terços (66%) em relação aos máximos de 2021.

A mudança nas taxas de juros afetou significativamente as transações, criando um desajustamento entre as expectativas de compradores e vendedores. Estes adquiriram ativos num ambiente de dívida barata agora enfrentam a venda num ambiente de dívida cara, levando a expectativas de valor elevadas. Por outro lado, os compradores enfrentam custos de dívida mais altos e incertezas persistentes.

Embora a tendência geral tenha sido de queda, dois setores destacaram-se. O setor de tecnologia, que representava 30% de todos os negócios de “buyout”, continuou a mostrar resiliência, impulsionado pela sua estabilidade e modelo de negócios. Além disso, o setor industrial também registou um crescimento, revelando-se mais estável e atraindo a confiança dos investidores.

Já no final de 2023, depois de mais um ano difícil, tanto para captar quanto para sair de investimentos feitos anos atrás, a indústria de private equity começa a olhar para 2024 com uma perspetiva mais otimista, pois esperam reativar a atividade relativamente ao ano de 20203, à medida que os spreads de valorização entre compradores e vendedores estreitam.

Este crescente otimismo apoia-se na maior visibilidade para realizar operações de saída em 2024, uma área de atenção prioritária para todo o setor de capital de risco. No geral, 56% das capitais de risco veem mais oportunidades de saída nos próximos 12 meses. Espera-se que 2024 seja um bom ano para as novas operações e para a aplicação de capital à medida que os spreads de valorização forem melhorando.

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